A causa do comportamento não é a mente, mas algo externo ao organismo, observável: o ambiente, o estímulo. Pensamentos e sentimentos também são comportamentos. Seriam o que a Psicologia Comportamental chama de comportamentos encobertos e é possível estudar aquilo que está dentro da pele, ou seja, há a possibilidade de estudar os eventos privados, mas não no mesmo sentido do mentalismo tradicional. Na visão Comportamental, os eventos privados de uma pessoa não são a causa de seu comportamento, mas, ao contrário, são eventos regidos pelas mesmas variáveis ambientais que controlam o comportamento manifesto. O comportamento é um processo, é mutável, e muda de acordo com as variáveis das quais ele é função.
Para a identificação de relações funcionais, utilizamos o conceito de contingência. O termo contingência é usado para se referir as relações entre comportamento e eventos ambientais. A Psicologia Comportamental utiliza-se de contingências e de relações funcionais como instrumentos para o estudo de interações organismo-ambiente. O experimentador manipula contingências em busca de relações funcionais e das condições nas quais podem ser observadas.
Comportamento e ambiente têm uma relação dinâmica, ou seja, o comportamento muda o ambiente assim como o ambiente muda o comportamento. E conhecer os determinantes de um comportamento é um passo fundamental para compreender a relação entre comportamento e saúde (ou doença).
Na Terapia Comportamental, trabalha-se basicamente com as variáveis externas, das quais o comportamento é função. Tentamos prever e controlar o comportamento de uma pessoa e chamamos esse processo de análise funcional. Esse é o instrumento básico de trabalho de qualquer analista de comportamento e é tarefa do terapeuta identificar as contingências que estão operando e também investigar as que operaram no passado. A análise funcional é vista como uma análise comportamental descritiva, ou seja, visa explicitar as contingências que podem estar operando para manter um determinado comportamento.
Fonte: CORRÊA, Marcia L. T. Psicologia Ambiental num Hospital Infantil: uma análise comportamental enfatizando qualidade de vida e bem-estar, Dissertação de Mestrado em Psicologia Clínica, PUC/SP, São Paulo, 2006.